sábado, 31 de outubro de 2009

GIRASSOL



Detalhe de Atalante und Hippomenes,
Guido Reni.



GIRASSOL


Dança, Mitra, revela a juventude
Rodopiando pelo Sol feliz
Dança expondo a sublime pulcritude
Do corpo sem nenhuma cicatriz

Canta, Mitra e nos leva à plenitude
Vestindo e revestindo a brisa gris
De cores ardorosas de amplitude
Seja a brisa a suprema imperatriz

Surja, Mitra, na ausência do Rei Sol
Nestes versos tão simples e minúsculos
Sê meu guia, rapaz, o meu farol!

Gira, Mitra, mostrando os grossos músculos
Lascivamente dança, girassol!
Aurora de tantíssimos crepúsculos!

Rommel Werneck


MINHA PÁGINA NO RECANTO DAS LETRAS


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Canto Real de Prata e de Ouro

"Redde caesari quae sunt caesaris", voltemos às formas antigas. O Canto Real, baseado em cinco estrofes de onze versos e um ofertório, não tem muitas raízes hoje em dia. Neste Canto Real, um amante põe a amada no topo do mundo - panegírico exorbitado, fruto de paixão - e também no conflito entre o ouro e a prata, onde, no final, os dois metais amalgamam-se, junto com o rubi, cá simbolizando o Amor.

CANTO REAL DE PRATA E DE OURO

Donzela argêntea, rico fruto puro
De altíssimas montanhas, pomo louro,
Errante zéfiro, esplendor vinduro,
De alvura e graça luzente tesouro.
Donzela amada de olhos pungentes,
Penetrantes arpões, tais inclementes
Inscrustaram-te em mim... Eu, navegante
Ébrio, dos mares e mares do soante
Netuno; eu, que jamais temi o abalo,
Jamais me abati ante ao pujante,
Diante de tua perfeição, me calo.

Riqueza em flor diante ao frio e duro,
Força sempre maior que o morredouro,
Amor que cintila em todo o escuro,
Meu único brilhante valedouro.
Riqueza minha, espalhe tuas sementes,
Faz crescer dentro em mim duas nascentes.
Sê meu sol, assim sou mundo orbitante,
Sem ti sou pobre cometa errante,
Sê anjo, amor, que serei o teu halo.
Eu que longe de ti sou tão falante,
Diante de tua perfeição, me calo.

Deusa que tem nas mãos o meu futuro,
Circassiana gema, amã mouro,
Deusa, nesse momento aqui te juro:
Perto de ti sou simplório calouro.
Teus olhos, cada vez mais comoventes,
Congelam as vis, infaustas, serpentes,
Teus olhos são de lume abrasante.
Eu, inseto insignificante,
Flutuante peixe perdido num valo,
Vejo tua aura quente e radiante:
Diante de tua perfeição, me calo.

Ninfa, onde, ao lado, só figuro,
Tal onça frente ao pequeno besouro,
Ninfa, ó ninfa idílica, asseguro,
Teu nome marquei: ferro em meu couro.
Cigana cartomante, a mim tu mentes,
Teus sorrisos lindos, quando ausentes,
Prendem-me em cela, é calor sufocante.
A mim tu mentes, minha cartomante...
Lê minha alma, o corpo, e num estalo,
Lê nela que, vendo-te, minha amante,
Diante de tua perfeição, me calo.

Vestal, de todo alva, branca, apuro,
De cândido luzir, digo-te; agouro,
Vestal, some em te olhar, tão obscuro:
Meu amor de rubi, prata e ouro.
Ouro, rubi e prata: tão fulgentes,
Ante a tuas mãos, marfins tremeluzentes,
Apagam-se no amiúde dum instante.
Graça maior: pensar em teu semblante,
Do mistério que carregas e embalo,
És límpida água, e eu, néscio turvante,
Diante de tua perfeição, me calo.

Oferta:

Donzela, tu, que rege este cante,
São teus estes simples versos que falo.
Não há maior razão que estar distante,
Para amar, donzela, e digo avante:
Diante de tua perfeição, me calo.


http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=1887309

domingo, 25 de outubro de 2009

CONFECÇÃO DA COLETÂNEA DE ÁUDIOS





Retirado de http://perspectivabr.files.wordpress.com/2007/12/vinil.jpg



Saudações, poetas!


     Em setembro planejamos uma exposição, porém o espaço estará sem disponibilidade até o fim de 2009 e agora, pretendo realizar a coletânea de áudios que pensamos em fazer já em agosto.

    A coletânea consiste em gravações de voz de declamações de poesias retrógradas seguindo a propostado blog. Para cada escritor, 2 poesias que podem ser as mesmas que recomendamos para a exposição ou outras dentro da vertente literária. Os escritores que não tiverem condições para gravar as declamações podem me encaminhar os textos, pois já temos uma escritora que declamaria as poesias. Entretanto, desejo saber via orkut/ msn / e-mail quem não tem condições de fazer gravações e quem pode fazer.

     Por ser um disco, seria interessante que houvesse alguma composição musical dentro da proposta e uma entrevista ou análise literária para variar o repertório demostrando assim, nossa criatividade. Aguardo respostas.


Rommel Werneck
  

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Infusão de Açucenas


Fumega o samovar água e verbenas,
Desprendedo nuvens adocicadas.
Ó prazeres! Dosséis feitos por fadas,
São essas infusões de açucenas!

Um gole: um milhão de cantilenas
Ouço soar, e me tinem toadas,
Tilintam-me donzelas e amadas,
Na época que florem as dracenas!

Outro gole: os anjos tocam liras,
E arcanjos com grinaldas de andiras,
Tocam trombetas ao Maior Rajá.

Sorvo a bebida, o ardor, a cor, o cheiro,
Revela-se em minha frente o mundo inteiro,
Com o último gole de meu chá.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sextina de Urias

Vedes aquela bela dama
Pois é senhora de mia vida
Rezo a vós Pai que possa vê-la
Mais uma vez antes da morte
Que já me é mais que evidente
Pois que em cavalo meu vou à guerra

Que sou maldito a ir-me a tal guerra
Neste momento co’a mia dama
Neste momento era evidente
Magna alegria de mia vida
E essa tristeza ante mia morte
E essa tristeza ao não mais vê-la

Muito bom a última vez vê-la
Para invocar seu rosto em guerra
Meu bom consolo antes da morte
Nenhum melhor que a bela dama
Melhor imagem de mia vida
Mas acredito que é evidente

Pois sua beleza é tão evidente
Que foi difícil o rei não a vê-la
E interferir contra mia vida
Em decretando-me a ir a guerra
E ter-me longe de mia dama
Esperançoso por mia morte

E o que me dói mais não é a mia morte
Por mais que seja-me evidente
O que me dói mais é a mia dama
Longe de mim co’o rei a vê-la
Sem proteção mia, pois à guerra
Temo por ela, por sua vida

Rogo-vos Deus pela mia vida
Não me deixeis beijar a morte
Por mais que seja-me evidente
Pai! Que deixai voltar da guerra
Se não meu Pai, vós podeis vê-la
Que protegei mia doce dama

Adeus mia dama, adeus mia vida
Que eu possa vê-la antes da morte
Mais que evidente nessa guerra

Cantiga Grega

Ai Pai acudi-me pois
Meu amigo aos mares foi
Ventura que o é Argonauta
Ai Pai acudi-me agora
Meu amigo aos mares afora
Ventura que o é Argonauta
Meu amigo aos mares foi
Ó mia flauta conforto sois
Ventura que o é Argonauta
Meu amigo aos mares afora
Ó mia flauta conforto aporta
Ventura que o é Argonauta

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ODE À SOLIDÃO!

Na noite de minh’alma, sem estrela,
A lua, que perdi, eu busco, em vão,
Espreito-a, só, tentando sempre vê-la,
No manto de seu véu, no seu desvão...

E frágil como a chama d’uma vela,
Buscando vou, a lua, em meu porão...
Comigo, a minha dor, voraz, duela,
Vencida, sem devir, me rendo, então!

No imo, eu trago agora, grande chaga,
Que a dor, em mim causou, com seu açoite,
Que só aumenta o meu sofrer, penar...

Prossigo, sem descanso, a minha saga...
Levando n’alma tão infinda noite,
Sem lua, sem estrela, sem luar...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Pólen

Sabores espirais de sua pele
Já arpejam pelo céu das minhas veias
Licores transcendentes de luxúria
Em ecos de bacantes melodias

Imersa no oceano dos meus braços,
Elevo-lhe pras sendas da lascívia
Por onde eu lhe derramo mel ardente
Nas fibras que desenham sua carne

Perfumes estelares de seus beijos
Já dançam, elevando a sua flama
De ardor, de embriaguez e de doçura
Por entre os quartos rubros da minha alma

E atados por intensos véus de noite
Devoro os horizontes de seu corpo,
Provando em sua flor incandescente
A cor do pólen quente dos desejos.

Cosmos


Aonde nebulosas vão nascendo,
Brotando das sementes estelares
Em míriades, centenas de milhares,
Por toda a eternidade, florescendo;

Por onde mil cometas vão correndo
E vivem, divagando pelos mares
Da physis, dimensões subliminares
De caos e de entropia num crescendo;

É além das dimensões de um campo lasso
(E as pautas ancestrais do tempo-espaço
Por onde fez-se luz num só instante),

Que abrange a solidão do vácuo etéreo
E mundos constelados no mistério 
Dum ritmo universal e ressonante. 

Respostas




ainda ontem voava
livre como tem que ser
em plena ãnsia
de amar todas as coisas, viver...

agora pousa triste
como um infeliz, um enjeitado
da vida espera a morte
de corpo esguio à magro...

sorriso efêmero
choro incontido,
suplica pelo amigo
o leito o seca, o peito sangra...

ainda ontem andava
livre, um pretérito imperfeito
quer saber se a morte o levou
ou se foi ele, que não viveu direito...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Lux Aeterna


A Luz Eterna andante invade os lares,
Quasares brilham no céu flutuante.
Um lampião aceso, e os negros mares,
Trissares de estrelas no quadrante.

Espetáculos ébrios de pulsares,
Aos pares, em silêncio causticante.
Um furacão represo invade os ares,
Vulgares beijos, lume irradiante.

Paro-me em meio a três pilares:
Oculares Três Marias, vagante,
O céu gira em turnos regulares,
Hectares tão longes, tão distante!

Tão vívido de paz busco lugares
Que permeiam o infinito semblante
Das estrelas, mães espetaculares!
Tão vívido, e mais, e mais luares!
O céu é incrustado de brilhante,
E as estrelas são gigantes altares!

Quadro: Maxfield Parrish (1870-1966), Stars.

http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1857330

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).