segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Pólen

Sabores espirais de sua pele
Já arpejam pelo céu das minhas veias
Licores transcendentes de luxúria
Em ecos de bacantes melodias

Imersa no oceano dos meus braços,
Elevo-lhe pras sendas da lascívia
Por onde eu lhe derramo mel ardente
Nas fibras que desenham sua carne

Perfumes estelares de seus beijos
Já dançam, elevando a sua flama
De ardor, de embriaguez e de doçura
Por entre os quartos rubros da minha alma

E atados por intensos véus de noite
Devoro os horizontes de seu corpo,
Provando em sua flor incandescente
A cor do pólen quente dos desejos.

Cosmos


Aonde nebulosas vão nascendo,
Brotando das sementes estelares
Em míriades, centenas de milhares,
Por toda a eternidade, florescendo;

Por onde mil cometas vão correndo
E vivem, divagando pelos mares
Da physis, dimensões subliminares
De caos e de entropia num crescendo;

É além das dimensões de um campo lasso
(E as pautas ancestrais do tempo-espaço
Por onde fez-se luz num só instante),

Que abrange a solidão do vácuo etéreo
E mundos constelados no mistério 
Dum ritmo universal e ressonante. 

Respostas




ainda ontem voava
livre como tem que ser
em plena ãnsia
de amar todas as coisas, viver...

agora pousa triste
como um infeliz, um enjeitado
da vida espera a morte
de corpo esguio à magro...

sorriso efêmero
choro incontido,
suplica pelo amigo
o leito o seca, o peito sangra...

ainda ontem andava
livre, um pretérito imperfeito
quer saber se a morte o levou
ou se foi ele, que não viveu direito...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Lux Aeterna


A Luz Eterna andante invade os lares,
Quasares brilham no céu flutuante.
Um lampião aceso, e os negros mares,
Trissares de estrelas no quadrante.

Espetáculos ébrios de pulsares,
Aos pares, em silêncio causticante.
Um furacão represo invade os ares,
Vulgares beijos, lume irradiante.

Paro-me em meio a três pilares:
Oculares Três Marias, vagante,
O céu gira em turnos regulares,
Hectares tão longes, tão distante!

Tão vívido de paz busco lugares
Que permeiam o infinito semblante
Das estrelas, mães espetaculares!
Tão vívido, e mais, e mais luares!
O céu é incrustado de brilhante,
E as estrelas são gigantes altares!

Quadro: Maxfield Parrish (1870-1966), Stars.

http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1857330

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SOMBRA ERRANTE...

Há uma sombra que na noite vaga
Por entre os véus de estrelas, suas redes,
Distante deste mundo, como vedes,
Cumprindo sempre a sua triste saga!

Por entre os astros erra noite e dia,
Sem ter consigo a paz que tanto busca,
O parco brilho seu, a lua ofusca...
Não traz consigo lume, nem alegria!!

E sombra é de quem um dia eu fui,
Não tem, d’outrora, suas mil pujanças...
Andeja triste pelo espaço, só!

Na escura noite sempre se dilui,
Não sobra dela nem sequer nuanças,
Na noite escura se resume a pó!

ANGÚSTIA!

Angústia profunda! Estranha
Feita de melancolia...
Que minh’alma sangra, arranha
Gerando em mim tal sangria!

Angústia enorme, tamanha
Que me deixa assim vazia...
Que minh’alma ara e amanha,
E que por dentro me espia!

Angústia que me acompanha
Dia e noite, noite e dia...
Que revolve minha entranha,
Prenhe de pura agonia!

Angústia! Angústia profunda!
Que, sorrateira, me inunda!

POBRE TROVADOR!

Sou trovador e versejo
Humildemente meus versos
Todas as vezes que eu vejo
Vossos encantos diversos...

Vosso amor, sequer, eu almejo...
Meus sentimentos imersos
Na lira, calado, arpejo
Transformo em versos dispersos...

Não ouso pedir-vos nada,
Nem um olhar, um regalo,
Cantar-vos-ei meu amor!

Não podeis ser minha amada,
Sois rainha! Sou vassalo,

Vosso pobre trovador!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Quase Alado


O teu corpo em minhas mãos carrego,
Junto com teu futuro e teu passado,
Vendo-te pelas ruas que trafego
Mesmo estando só, sem teu cuidado.

Não vejo-me no espelho, e tanto apego,
De amor tenho a ti, que em todo lado,
O teu corpo em minhas mãos carrego,
Junto com teu futuro e teu passado.

Não escondo em segredo e sequer nego,
Que pouco importa-me se é pecado,
E lânguido de amor, e quase cego,
E vívido de ardor, e quase alado,
O teu corpo em minhas mãos carrego.

http://recantodasletras.uol.com.br/rondel/1849910

sábado, 3 de outubro de 2009

À DIVINA PROVIDÊNCIA



William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) - Tobias Saying Good-Bye to his Father (1860).



À DIVINA PROVIDÊNCIA


São Rafael, guia-me por esta estrada
Não quero seguir só, preciso de alguém!
Os meus tristes olhos não veem mais nada
Pois a escuridão converteu-me em desdém


Ó Pai Protetor, leva-me à minha amada
Não posso e nem quero ficar sem ninguém
Abençoa o meu pai e minha mãe agoniada
Pra que com esmolas eu bendiga: Amém!


Pelo sacramento do bom matrimônio
Mostra-nos a vida e sua Florescência
Curando-nos sempre e vencendo o demônio


Tu és o Senhor bendito das nações,
Acreditarei sempre na Providência
Com jejuns, esmolas e mais orações!


 
ROMMEL WERNECK





MINHA PÁGINA NO RECANTO DAS LETRAS


http://recantodasletras.uol.com.br/autores/rommelwerneck



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vão


Vão

Mais
Que o amor
E que o nascer
De breves, sãs flores:
Crianças em vigores leves.



Baseado, segundo é esta forma, na sequência de Fibonacci: 1,1,2,3,5,8... (neste caso, os números equivalem às sílabas poéticas).
Quadro: Jean Lefort, Children Playing. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Despedida das almas


Olhando de longe
Sorrindo outra vez
É a mim que eu pergunto
Se a distância nos satisfez

Fugindo desde sempre
Deixando-te para trás
As memórias que nós temos
Vivem do que não fizemos

Os dias mais distantes
Foram mais presentes
Datas importantes
Que sentíamos contentes

Nossas almas fugidas
Juntas não quiseram ficar
Era tão plena nossas vidas
Como o sol e o luar

Ao passado vamos brindar
E o presente festejar
Essas duas almas
Nunca mais irão se cruzar

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).