terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ponto final



sala branca
paredes vazias
sem mundo ao redor

lábios sem cor
pele fria
faces estranhas

bisturi corta
desfia carne
jorra sangue

processo artificial
anestesia d'alma
cosendo retalhos

sábado, 26 de setembro de 2009

A Árvore




Em meio a dissonante atmosfera
De caos e de volúpia transcendentes,
Germinam os seus frutos e sementes
Nutrida por um solo em chaga austera;

Sob secas e tormentas tão severas,
Ascendem os seus galhos, em torrentes
Pro abismo desses céus incandescentes
Morados por demônios e quimeras.

Aos ventos divagantes e velozes
Que, loucos, verbalizam suas vozes
De insânias divagantes em venetas,

Floresce sob a angústia e sob o medo
Essa árvore que definha, já tão cedo,
Num mundo submerso em nuvens pretas!



*poema inspirado pela pintura do Zdzislaw Beksinki, da imagem acima.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

ORGANIZAÇÃO- 1a EXPOSIÇÃO POESIA RETRÔ

Saudações, poetas! Eu já tinha comentado sobre a exposição que planejo realizar aqui em São Paulo e quero organizar os texos que irão para a exposição. Como sabem, não é está nada certo se a exposição ocorrerá no Centro Cultural Jabaquara, ocorre que o sr. Almir mostrou gosto por meu projeto e nem exigiu um projeto oficial, apenas 1 e-mail mais detalhista que planejo fazer hoje ou amanhã.

A exposição consiste em uma série de poesias de nosso estilo, um texto de editorial, uma minibiografia de cada autor acompanhada por foto ou não e respectivo site/ blog. As imagens utilizadas serão apenas a capa do blog e o um cartaz do desafio literário Roleta Russa. Gabriel Rüinger sugere que o material seja impresso em A3 em impressora a laser.

Inicialmente, pensei em três textos por escritor (exceto hai-kais e tankas), porém serão muitas folhas para imprimir, portanto podemos reduzir até 2 textos dependendo de como for a disponibilidade do local e de recursos.

Adotando a mesma metodologia de confecção do I E-book Poesia Retrô, eu, Gabriel Rübinger e Carlos André Paes Bengaly Jr. selecionamos alguns textos. São apenas propostas de textos das escrivaninhas que podem ser usados na exposição e podemos discutir nos comentários da postagem, por e-mail e na comunidade do orkut. Infelizmente, não tivemos temp de ler as escrivaninhas de todos os autores portanto quem não tiver texto na lista não deve se sentir excluído(a), devem propor textos e discutiremos tudo depois.


TEXTOS ESCOLHIDOS EXPOSIÇÃO*
* lembrando que não conseguimos ler todos os autores ainda, mas todos estão inclusos.


RONALDO RHUSSO

D'AMOR RETRÔ


DENISE SEVERGNINI






ROMANESCO


A POETISA FENECIDA


O BEIJO QUE NÃO TE DEI










EDIR PINA DE BARROS:






ONÍRICA QUIMERA


SPECTRUM


PRIMAVERA





KHAOS






TEATRO DAS SOMBRAS


DANÇA DE SHIVA


SOBRE A OUTRA MARGEM






CLÁUDIA BANEGAS

INDRISO RETRÔ






GABRIEL RÜBINGER:






ROSA DE SANGUE


PASSADO PERDIDO


SONETO AO ÓRGÃO










POETA LENDÁRIO






O OURO E A PRATA ÀS MAIS SACRAS ESCULTURAS


ANTIGA ERA!...


PÓ DE DIAMANTE ( DIAMOND DUST)





PABLO FLORA


DAS PÉTALAS DA ROSA


O TEMPO DAS FLORES






VITOR DE SILVA


SOMBRA PICTÓRIA


NAS ALAMEDAS DE MIM


NO VALE DE LÁGRIMAS






SOPHY






HAI-KAIS: 39, 26, 27 E 13


PERFUME DE VERÃO






LUCIANO ALENCAR: Coletânea de Haikais e Tankas: Sem Título - 15, Sem Título - 17, Sem Título 20 (Ficarão todos numa só folha); Lágrimas de Menestrel, Cantiga de Amor I,






FÉLIX RIBAS:Enterro da Inocência, Suicida - Primeiro Ato, Fim;






De Rommel Werneck: Pálido Pecado, Lua Lacrimosa, Antes, Agora e Sempre




 


Da Déia: Anoitecer (em dueto comigo), Soneto Renascentista, Como! Assim! Soneto!






CAMILLE CLAUDEL






RELÍQUIA
 GÓTICO
SOZINHA


ME MORTE


VÓS SOIS OLHAR
O PLEBEU E A PRINCESA



.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

NOITE DE INVERNO

EM MAIS UMA NOITE
TORPE E ENEVOADA
ME PERCO EM
PENSAMENTOS SOMBRIOS
INERTE EM MEIO
A MELANCÓLICA
SOLIGUIDÃO DA NOITE
DESSE ARTICO FUNERIO INVERNO
NESSAS NEFANDAS NOITES DE
CLAUSURA E ESQUECIMENTO
ESPECTRAIS FANTASMAS DE OUTRORA
IMUNDÃO MEU SER MEU PENSAR
GUILHOTINANDO MINHA SANIDADE
ESFACELANDO MEU VIVER
ESSE SEGREGO NOCTURNO
TRAZ-ME DOR E PESAR
A ESPERA DA AURORA
DE MEU SONHAR.

FELIX RIBAS

sábado, 19 de setembro de 2009

AURORA D'ALMA!


A aurora d’alma é profunda e triste!
Sem bem-te-vis cantando seus clamores,
E sem arrebóis! Seus brilhos! Seus fulgores!
Apenas um vazio só existe...

A aurora d’alma é qual dor que insiste
Calar no peito muitos dissabores...
Chorar baixinho pelos seus amores,
E suportar a mágoa, que resiste...

Aurora d’alma é feita de saudade,
De nostalgias, sombras do passado,
De solidão, silêncios alvadios...

Melancolia que, posseira, a invade!
É ser sozinha, tendo alguém ao lado,
Na vastidão imensa dos vazios...

HORAS MORTAS


São tão tristonhas essas horas mortas
Perdidas entre a noite e o fim do dia...
Em que parece estanque a vã sangria
Do sol que, caindo, fecha suas portas.

Eu sinto em mim um misto de alegria
E de tristeza, que rouba a minha calma,
Uma agonia dentro de minh’alma...
Ao fim de tudo sinto-me vazia...

Se há beleza e vida no arrebol,
Há também desta vida um desmonte,
E as aves não gorjeiam nessa altura...

De certa forma eu morro com o sol
Que assim sangrando, desmaia no horizonte,
Dando lugar à noite, que é escura....

VAZIOS

Vazia eu estou, de rimas e de versos...
Deserta está minh’alma nesta noite,
A solidão me fere como açoite,
Meus pensamentos voam tão dispersos...

Sequer encontro oásis nas palavras,
Que fogem todas para os meus desertos,
Os versos meus estão demais incertos,
E nada encontro nessas minhas lavras...

O corpo está aqui, mas nada sente,
Não sinto mesmo nem a brisa, o ar,
Meus versos estão mudos, tão sombrios!

Vazia e tão ausente, mas presente...
Suspensa nessa vida sem lugar,
Flutuando pelas águas dos meus rios!

MEDIEVA CANTIGA D'AMOR




Senhora mia, vos peço

Quem vos fala é um trovador,
Eu sou pobre e não mereço

Nem falar-vos de meu amor...
Se ouvirdes os meus versos,
Minhas trovas, minha lira,
Meus sonhos neles imersos
Falará-vos quem suspira
De paixão no reino vosso,
E que sofre, que delira.


Eu nada vos peço, só cantar
Vossa imensa formosura
Vosso tão sereno olhar,
Tão repleno de candura...
Oh! Senhora, com respeito,
Versejo vossa alteza,
Vosso altivo e nobre jeito,
Vosso encanto e beleza!
Sou vassalo trovador
Que muito vos tem amor!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

VÓS SOIS OLHAR





Vosso olhar, esse mar, eterno navegar...




Olhar de águas cristalinas


Redemoinhos de paixão


Na areia clara das meninas


Tem mil castelos de ilusão.






Vós sois azul, um céu azul,


um vento Norte e outro Sul...


Em brisa leve ou ventania


O vosso olhar arrasta o chão.


Em dia quente ou noite fria,


Facho de luz na escuridão






Sois o olhar da nossa terra, encobre a serra...


Em campo fértil ou no sertão,


É caatinga ou alecrim.



ME MORTE

DESVANEIO

EM MAIS UMA NOITE SOMBRIA

ESTOU ENCARCERADO EM MEUS PENSAMENTOS

A DOR ME TRAZ A AGONIA

O ODIO ME TRAZ SOFRIMENTO

EM MAIS UMA NOITE

TORPE E ENEVOADA

PERCO-ME EM CÃOS E COLERA

TORNO-ME NEFANDO, LASCIVO

TORNO-ME VENENO A MIM MESMO.


FELIX RIBAS

BAILE DOS MORTOS

É CHEGADA A HORA DA ULTIMA QUIMERA
AO ENTARDECER DO ULTIMO DIA
PUDRICAS CARCAÇAS
AM DE SE LEVANTAR-SE
DE SUAS CRIPTAS
EM UM FRENESI ESPECTRAL
AO SOM DE LÍRICA SIMPHONIA
PARA O BAILE DOS MORTOS
NESTA HORRENDA NOITE
SOBRE O PRATEADO VÉU
DA DEUSA LUA
NÃO EXISTIRA LIMITES ENTRE
O HUMANO E O DIVINO
ENTRE O CÉU E O INFERNO
MILENARES ALMAS PAGÃS
VAGARÃO ENTRE OS MORTAIS
A CEIFAR SUAS ALMAS E SANIDADE
ESCONDA-TE, PROTEJA-TE
MAS LEMBRE-SE QUE
SÓ SUA FÉ PODERÁ SALVAR-TE
SERÁS MASSACRADO
PELA IMENSIDÃO DAS SOMBRAS
EM MEIO AS TREVAS
DESSA DEMONÍACA MADRUGADA
TENTADO POR SUCUMBOS E INCUBOS
ATRAÍDO PELO CÂNTICO DAS SEREIAS
SE VOS AO ALVORECER AINDA FORES MORTAL
PODERÁS VIVER AO NOVO AEON
O AEON DE AQUÁRIO.

FELIX RIBAS

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).