sexta-feira, 14 de agosto de 2009

QUEM SOU EU

SOU A VIDA QUE NÃO TIVE
SOU TUDO QUE DEIXEI PARA TRÁS
SOU DAS NOITES MELANCOLIA
SOU MEU MEDO DA MORTE
SOU O SIMBOLISMO DO INVERNO WICCA
SOU O GUARDIÃO DOS PORTAIS DE HADES
SOU MALFADADO, INSANO, POETA
SOU DO MUNDO TODOS OS PESARES
SOU A QUEM JULGAM SEM CONHECER
SOU QUEM AMIGOS NUNCA TEVE
SOU RESQUÍCIOS DE MEUS TORMENTOS
SOU DA VIDA ANJO DA MORTE
SOU MEU GÓTICO IDEALISMO
SOU DAS TREVAS COMPANHEIRO
SOU PELOS DEUSES CONDENADO
SEGREGADO A VAGAR EM UM INFRUTÍFERO VIVER
SOU MEUS MEDOS, MEUS PESARES
SOU MEU MUNDO DE HORRORES
VIVO ACORRENTADO A PENSAMENTOS SOMBRIOS
QUE SE POEM A MINHA ALMA DILACERAR
AOS POETAS É VEDADO A SORTE E A ALEGRIA
POR ISSO DESABAFO NESSES VERSOS
COM GOTAS FRIAS DE TRISTEZA E SOLIDÃO
O QUE SENTE MEU CORAÇÃO.

FELIX RIBAS

LÚCIFER

FORA UM ANJO VIGILANTE

DO SENHOR O PREFERIDO

CONDENADO POR ORGULHO

TORNEI-ME ANJO DECAÍDO

POSSUÍDO PELO ÓDIO

MEU CORAÇÃO TORNOU-SE NEGRO

MINHAS ASAS SE ESFACELARAM

MINHA ARÉOLA FOI DESFEITA

SEGREGADO FUI A TERRA

A VIVER ENTRE OS MORTAIS

COMO OUTROS DECAÍDOS

VIM CUMPRIR A MINHA PENA

ENTREGUEI-ME AO PECADO

A AMORES E AO LIBIDO

EDIFIQUEI MEU O MEU REINADO

E NOVAMENTE POR YAVÉ FUI CONDENADO

O DILUVIO ME LEVOU TUDO

MEUS AMIGOS, MEUS PALÁCIOS

PERDI FILHOS E AMANTES

MINHA FÉ E SANIDADE

ENTÃO TORNEI-ME DEUS

DE UM MUNDO SEGREGADO

SENHOR DAS ALMAS PERDIDAS

E DOS SERES DECAÍDOS

PELOS SÉCULOS PASSEI A VAGAR

CEIFANDO ALMAS AO MEU IMPÉRIO

SENDO A LUZ DAS TREVAS

NESTE INFERNO CHAMADO TERRA.

FELIX RIBAS

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Magma




Além do céu d'inverno, congelante,
O Sol de nossas peles já transpira
Mil halos de desejos sob a lira
De Baco a desfolhar-se em tom errante;

A estrela de Succubus, divagante,
Possui-nos em seu fogo e sua mira
Luzindo um céu noturno que delira
Na tântrica harmonia dos amantes.

Envolto em sua carne doce e leve,
Tão nívea, tão macia como a neve
Ardendo na espiral de nossa chama,

Me embeba com seu magma, em torrentes
De beijos e volúpias transcendentes
Em meio a um mar de gozo que se inflama!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

NOITE SILENCIOSA


Böcklin - Ruins in a moonlit Landscape

NOITE SILENCIOSA


Agora, as noites são longas, vazias...
Oh! Triste madrugada torturosa
Que através destas brisas más e frias
Revela uma amplidão silenciosa!



Agora, só ficaram nostalgias,
Noite lenta, simplória e tenebrosa,
Silêncio intenso e fúnebre. Sombrias
Névoas cobrem a Lua lacrimosa...



Na noite em que eu não estava assim, sozinho...
As horas não passavam devagar.
Anjo flor rapidez vida cantar



Amor bonança dor saudade infinda!
Depois daquela noite alegre e linda,
Perdido estou por este descaminho.


Rommel Werneck

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/rommelwerneck

http://poesiaretroapoesiadesempre.blogspot.com/

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vazio

VAZIO
Ao sabor do vento gélido
Os meus sonhos se esvoaçam
Partidos em mil pedaços...

Ao sabor do vento gélido
As esperanças se esgarçam
Perdendo-se nos espaços...

Assim resta-me o vazio...

Nem teu nome eu balbucio!

OCIDENTE E ORIENTE

ORIENTE E OCIDENTE

Ó! Ocidente! O mar já nem atravessas,
Pra avassalar os povos milenares,
Exerces vil poder cortando os ares,
Deixando tuas marcas sempre impressas!

Sobre Hiroshima, teu poder acessas,
Ferindo tanta gente e seus lugares,
Destruindo tantas vidas, aos milhares!
Mandando, pelos céus, tão vis remessas!

Tua purpúrea rosa sem perfume,
Tua anti-rosa ígnea, flor do mal,
Flutua sobre o céu da Humana mente!

Que da memória nunca mais se escume,
Tão triste gesto sórdido e bestial!
São duras tuas mãos, ó, Ocidente!

* Os Estados Unidos da América do Norte, há 63 anos atrás, jogou bomba atômica em Horoshima e Nagazaki.
Laudas
Porfia em torturar morna ventura
e apura o retrocesso algures posto.
O rosto, bela face, ó criatura
é pura imagem desse rei deposto...
Agosto escancarou a desventura
e a cura pr'esse sangue aguado, mosto...
Proposto suicídio, noite escura
e jura que o Torrão tomou por gosto.
Desgosto contemplar corpo caído
e tido como o mártir altaneiro.
Certeiro eu sei que foi disparo e raro!
Deparo com resquícios no anteparo.
E o caro persa sujo, camareiro?
Oh! Beiro essa mentira e eu hei sorvido...

Ronaldo Rhusso

terça-feira, 4 de agosto de 2009

DORMINDO


DORMINDO

Durma! Não faz frio e nem quente. Só morno!
Imagina o quão suave é a tua cama
Enquanto eu contemplo teu forte contorno
E em mim brilha terna e escuríssima flama

Sonha! Tu és lânguida pérola e adorno
Da noite bonita que tanto te chama
A um sonho perfeito sem dor ou transtorno
Pois tal como eu a fúlgida noite bem te ama

Raia a aurora augusta e nunca em desadorno
Que p'ra ti um soneto sublime declama
Surgindo o Sol Rei em fulgor de pleno forno

Durma e sonha, pois o Sol já se embalsama
E a lua planeja o próximo retorno
Durma minha pérola, lânguida dama!



Rommel Werneck

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/rommelwerneck



Soneto no I E-BOOK POESIA RETRÔ
PDF Baixe o material aqui...
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1686286


BLOG POESIA SACRA
http://poesiasacra.blogspot.com/

Pazuzu




Provinda do deserto da Suméria,
É a besta que comanda os quatro ventos
E espalha pelo mundo o caos sangrento
Por meio duma chaga deletéria;

Arcanjo da tristeza e da miséria,
Carrega no seus braços pestilentos
A muda da discórdia e do tormento
Que brota em todo ser a dor etérea.

Horrenda, tão nefasta criatura,
Senhora das planícies obscuras
E terras de paisagens mais devassas

Ressoa pelos céus, à lua acesa,
A chama que destrói a natureza
E torna toda vida em mil desgraças!



ps: Pazuzu, na mitologia siméria, é o rei dos demônios do vento, além de ser também responsável por fome e estiagem nas estações secas e pragas nas chuvosas. Mais informações aqui

Elomar Figueira de Mello

Quem pensa que o trovadorismo morreu lá pelos anos da Idade Média, é porque não conhece Elomar Figueira de Mello, que é o tema da coluna de hoje.

O POETA E O MÚSICO

Elomar Figueira de Mello nasceu por ali mesmo, na Bahia, na velha casa da fazenda Boa Vista, em Dezembro de 1937. Descendente de hebraicos e de trovadores, de lá mudou para Vitória da Conquista três anos mais tarde, devido a frágil saúde do garoto Elomar; seus pais, trabalhando duro na cidade, voltam para o campo novamente, onde Elomar conclui o primário escolar.

Em 1954, Elomar vai para Salvador cursar o "científico", que abandona dois anos depois para servir o Exército, o qual retorna e completa em 1957. Cada vez mais enreda-se com a poesia e a música nos meios dali, o que o faz perder o vestibular de Geologia do ano seguinte, e, em 1959, passa no vestibular para Arquitetura, onde se forma, em 1964, quando retira-se de volta e definitivamente para o Sertão, onde começa a compor sua obra e tendo a Arquitetura apenas como suporte financeiro mínimo. 'Inda hoje vive pelas bandas do Sertão, com sua casa-fundação "Casa dos Carneiros".

Desde pequeno Elomar se interessou pela música rústica (até certo ponto, pois é algo que vem naturalmente) dos cantadores poetas do sertão. Suas primeiras composições datam de 7, 8 anos, quando, de noite, saía de casa às escondidas para assistir e aprender com os músicos.

Em 1960 lhe chegam ideias de trabalhos mais envergados, em comparação com as antigas cantigas que ia compondo. Nessa época, já havia anos e anos que era apaixonado pelos romances de cavalaria e pela cultura que ele define como "sertaneza". Elomar compõe então óperas, antífonas e galopes estradeiros, esses últimos, sinfonias compactas.

Elomar tem no seu currículo um caderno com pouco mais de 80 canções, 11 óperas, 11 antífonas, 4 galopes estradeiros, 3 concertos, 1 sinfonia e 12 peças para violão-solo.

O mais relevante, no entanto, em sua obra, é a capacidade de Elomar em combinar o que é folclórico, "de raiz", com o erudito, chegando ao universal com a linguagem regional, e tudo isso com enorme maestria.

Prepare-se para uma das maiores viagens da sua vida.

Das barrancas do Rio Gavião... (1972)

Faixas: 
01. O Violêro 
02. O Pidido 
03. Zefinha 
04. Incelença do Amor Retirante 
05. Joana Flôr Das Alagoas 
06. Cantiga de Amigo 
07. Cavaleiro do São Joaquim 
08. Na Estrada Das Areias de Ouro 
09. Retirada 
10. Cantada 
11. Acalanto 
12. Canção Da Catingueira

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E, como extra, uma letra de Elomar:

INCELENÇA PARA O AMOR RETIRANTE

Vem, amiga, visitar
A terra, o lugar
Que você abandonou
Inda ouço murmurar
Nunca vou te deixar
Por Deus nosso Senhor
Pena cumpanheira agora
Que você foi embora
A vida fulorô
Ouço em toda noite escura
Como eu a sua procura
Um grilo a cantar
Lá no fundo do terreiro
Um grilo violeiro
Inhambado a procurar
Mas já pela madrugada
Ouço o canto da amada
Do grilo cantador
Geme os rebanhos na aurora
Mugindo cadê a senhora
Que nunca mais voltou
Ao senhô peço clemência
Num canto de incelença
Pro amor que retirou.
Faz um ano in janeiro
Que aqui pousou um tropeiro
O cujo prometeu
De na derradeira lua
Trazer notícia sua
Se vive ou se morreu
Derna aquela madrugada
Tenho os olhos na istrada
E a tropa não voltou.


REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).