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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Platonismo




No Cosmos onde planto os lírios dos desejos
E bebo do néctar ardente dos meus sonhos,
Escrevo em sua alma a tormenta dos meus beijos
Caindo no flux das carícias que eu componho.

No vôo espiral dessas asas de quimera,
Traço na noite a infinitude constelada
Onde o luar de nossas chamas reverbera
E tinge de delírio o céu da madrugada.

Rompendo as dimensões do tempo e do espaço,
Viajo além dos horizontes estelares
Aonde vivo os dias sob o arco de seus braços
E as noites tem a cor do mar de seus olhares.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Constelações





Os olhos que se perdem na harmonia
Das pálidas canções de Luas mortas
Anseia em sua astral melancolia
Um mundo que lhe abram suas portas;

A essência adocicada das quimeras
Que, à noite, me vestia em sua manta
Agora só me envolve nas esperas
Das horas que condensam dores tantas.

Focado na serena trajetória
Do Sol que se encaminha ao oriente,
Procuro no horizonte da memória
O fim dessa tormenta inconsciente;

Em noites de esperança já perdida,
Apagam-se as finais constelações
Do cosmo que habitava a minha vida.



Imagem: Constelação de Escorpião.
Mais detalhes sobre ela, clicar aqui

domingo, 7 de junho de 2009

Insânia




Vagos oceanos celestes
Abriram as cortinas eternas
Na forma de línguas de fogo
Vestidas em corpo de aurora.

Estrelas dançam errantes
As valsas de gases e neutrons
No caos das veias noturnas
Ardendo seu sangue de medo;

O mar que lampeja sereno
Safiras verdes de sal
Me chamam pro lento mergulho
Do frio da mente sem teto.

E em noites sem cor e sem ossos,
Eu beijo os mil lábios amorfos
Da insânia dolosa e fluente
Que vaza no oásis da alma.



Carlos André, 17/6/08






Imagem: pintura de Zdzislaw Beksinski - Nevermore

http://www.besy.co.uk/_media/blog/beksinski_nevermore.jpg

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Floresta



"I hear her voice
calling my name
the sound is deep
in the dark
I hear her voice
and start to run
into the trees
into the trees"

The Cure - A Forest

A noite iluminada à flor da Lua
Brilhante e sibilante pela mata
Compõem a irresistível serenata
Que traz-me ao coração da Terra nua;

A face iridescente das estrelas
Desenham sobre as folhas e raízes
Mil sombras que ressoam, infelizes,
Um mantra me pedindo a socorrê-las;

Andando até o núcleo da floresta,
Escuto a melodia mais funesta
Que abrange toda a angústia do infinito:

É o canto que, soprado ao vento forte,
Me arrasta pros grilhões da própria morte
Ceifando a minha alma num só grito!

sábado, 30 de maio de 2009

ENTREVISTA COM O ESCRITOR KATATONIC, POR ROMMEL WERNECK



Carlos André Paes Bengaly Junior Rio de Janeiro – RJ. Pseudônimo: Katatonic
FORMAÇÃO ACADÊMICA E PROFISSIONAL:
Katatonic: Faço graduação em bacharelado em Física, cursando agora o sétimo período. Também sou formado em inglês pelo CCAA e dei algumas aulas particulares de Matemática e Física para o ensino médio.
O QUE VOCÊ MAIS ESCREVE?
Katatonic: Poesias, certamente. De vez em quando me arrisco na prosa, mas é bem raro.
E A PROSA?
Katatonic: Nada contra, mas eu não me sinto muito confiante para escrever nessa forma. Pode ser que isso mude, claro, mas por enquanto meus trabalhos em prosa são meramente experimentais (risos).
QUANDO VOCÊ COMEÇOU A PRODUÇÃO LITERÁRIA? QUAL FOI SEU PRIMEIRO CONTATO?
Katatonic: Minha produção literária começou somente aos 19 anos, até então nunca havia tido real interesse em escrever e muito pouco interesse em literatura de um modo geral. Meu primeiro contato com literatura de fato foi no ensino médio, lembro que gostei bastante de estudar o romantismo (especialmente a segunda geração) e o parnasianismo. Mas ficou nisso, só passei a procurar conhecer mais sobre literatura e os diferentes estilos/autores a partir dessa idade.
COM QUANTOS ANOS COMEÇOU A ESCREVER? HOUVE FASES LITERÁRIAS EM VOCÊ? FALE UM POUCO SOBRE SUA TRAJETÓRIA
Katatonic: Como disse, foi aos 19 anos mesmo. Meus poemas eram bem fracos na época, a maioria eram somente desabafos postos em forma de versos. Só passei a trabalhar mais a forma e conteúdo aos 20, a partir daí minha produção literária melhorou qualitativamente e também quantitativamente. Esses poemas já apresentam uma veia simbolista e gótica marcante, algo que mantenho até hoje em dia, mas meus poemas atuais abordam mais temas introspectivos e existenciais do que naquela época.
VOCÊ CONSEGUE VER ALGUMA RELAÇÃO ENTRE FÍSICA E LITERATURA?
Katatonic: Consigo sim. Ambas tentam descrever o universo em que vivemos, só adotam ponto de vista diferentes. A literatura adota um ponto de vista mais subjetivo e pessoal, enquanto a Física busca um mais impessoal e generalizado. Mas as duas me fascinam pela capacidade que tem em descrevê-lo, e por me fazerem entendê-lo melhor também.
QUAIS SÃO AS SUAS INFLUÊNCIAS LITERÁRIAS E NÃO-LITERÁRIAS?
Katatonic: Muitas. No campo literário, citaria Augusto Dos Anjos, Cruz e Souza, Álvares de Azevedo, Fernando Pessoa, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Verlaine, Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft. No não-literário, música, imagens, sonhos, sentimentos, pensamentos, idéias, fragrâncias... enfim, qualquer coisa que pode ser concebida pelos sentidos e a mente.
QUAIS SÃO OS SEUS PROJETOS?
Katatonic: Continuar a escrever e me aprimorar cada vez mais nessa arte.
O QUE VOCÊ PODE FALAR SOBRE O BLOG POESIA RETRÔ?
Katatonic: Digo que é uma ótima iniciativa, já que existem sempre pessoas interessadas e admiradoras de estilos mais clássicos, digamos, e aqueles que se dedicam a escrever assim por interesse pessoal, e o blog é uma boa chance de mostrar o trabalho que fazemos.
E QUAL O TEXTO QUE VOCÊ MAIS GOSTA? OU O Q VC ESTÁ CURTINDO NO MOMENTO? UMA VEZ Q NÓS ESCRITORES SOMOS MUITO CRÍTICOS E NÃO CONSEGUIMOS NOS DECIDIR....
Katatonic: Meu poema favorito é o soneto “Siamesas”, que considero também o melhor poema que escrevi até hoje. Também gosto muito do “Canção Vespertina”, “Astronomia”, “Dança de Shiva”, e dentre os mais atuais, o que eu mais curto são o “Enigma Eterno” e “Letras Silentes”.
E QUAL O ESTILO MUSICAL OU ARTÍSTICO QUE MAIS SE RELACIONA OU EQUIVALE A SEUS TEXTOS?
Katatonic: Gothic Rock, Doom Metal e Rock Progressivo, principalmente.
HÁ QUANTO TEMPO ESCREVE NO RL?
Katatonic: Desde fevereiro de 2008.
QUAIS ESCRITORES DO SITE VOCÊ INDICA?
Katatonic: Rommel Werneck, Camille Claudel, Karla Hack Dos Santos. R Duccini, O Daltônico, Poetagalegal, G. Rübinger.
QUAL TEXTO SEU VOCÊ INDICA?
Katatonic: Siamesas, Letras Silentes e Enigma Eterno.
EU, Rommel Werneck, indico este :
INCENSO
PANORAMA: Entrevista realizada via msn. O escritor possui uma forte retomada do Simbolismo e uma poesia com atmosfera onírica, vaga e introspectiva que nos conduzem a mil devaneios e a um plano literário de qualidade.
TEXTOS DO ENTREVISTADOR ROMMEL WERNECK http://recantodasletras.uol.com.br/autores/rommelwerneck
POESIA RETRÔ, A POESIA DE SEMPRE
TÓPICO DE ENTREVISTAS NO FÓRUM DO RECANTO DAS LETRAS
http://recantodasletras.uol.com.br/forum/index.php?topic=4713.30

Rommel Werneck

Galáxia




Um círculo de nuvens que se espalha
No plano vertical da minha mente
Começa a construção da fria malha
Vestindo-me de angústia descendente.

Vestindo-me de angústia descendente,
O véu da minha vida forma a pele
Da rede de nervuras que já sente
As dores que este mundo me transfere.

As dores que este mundo me transfere
Agrupam-se na linha do horizonte
Que imerge no oceano duma espera
Fazendo de minha alma a sua fonte.

Fazendo de minha alma a sua fonte,
Floresce uma tristeza parasita
Nas rugas que deformam minha fronte
Em curvas de agonia circunscrita;

Em curvas de agonia circunscrita
Desenham-se as estradas da existência
Que guiam meu caminho pra infinita
Galáxia da profunda sonolência.



13/7/08


imagem:
Andrômeda - M31. Galáxia espiral distante cerca de 2,2 milhões de anos-luz, vizinha da nossa Galáxia.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tarde De Maio




A tarde revestida em doces ventos
Soprados pelo oeste dos pesares
Já trouxe pra minha alma os sedimentos
Da angústia transformada em sete mares;

A langue solitude que se instaura
Nas portas do meu ser desintegrante
Desenha o desalento da minha aura
Em folhas sepulcrais de meu semblante;

Penumbram rubros sóis em minha veia
Num arco eclipsante de lembranças
E um ventre de luar que serpenteia
Estrelas funerais em suas danças;

No éter que fermenta a minha essência
E forma a astronomia do meu sono
O corpo já se imerge à decadência
Do ser em mil camadas de carbono.


Carlos André, 9/5/08

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Modernidade




Um sol abandonado em longa altura
Prossegue o seu cadente movimento
Além de arranha-céus e do cimento
Que são nossa celeste arquitetura;

Ao longo dessas ruas tão escuras
Cobertas de sujeira e desalento,
Só resta a languidez do movimento
De brisas no metal das estruturas.

O mar acinzentado das paisagens
Formado por pessoas e engrenagens
Fluindo em sua urbana arritmia,

É o rosto desta vida tão estéril
Que leva todo ser pro cemitério
Das rodas funcionais do dia-a-dia.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Frieza




Na frágil palidez do céu cinzento
Tingido pelas cinzas da beleza,
Respira no silêncio da tristeza
O peito que se afoga em desalento;

Habita a mais espessa profundeza
Do abismo em que repousa meu tormento
O ventre que germina o filamento
Dos sonhos que se trincam na frieza;

Nas dores em que sangram meus sentidos
Os olhos transfiguram mil gemidos
Correndo pelas veias tão vazias;

No solo que permeia essa morada
Eu deixo a minha carne congelada
À lua que perfuma as noites frias.



Carlos André, 4/2/08

domingo, 10 de maio de 2009

Nuvens II



Os astros que exibiam realeza
Nas noites perfumosas dos outonos
Perderam toda a pompa de seus tronos
E vagam no universo da tristeza...

A doce palidez da Lua acesa
Que há tempos resguardava esse meu sono
Agora já gravita no abandono
Das sombras ancestrais da natureza;

No céu desta existência eu já contemplo
Ruínas que sobraram do meu templo
Formado de ilusões e despedidas...

Aonde havia o Sol, constelações,
Agora só me existem sensações
De nuvens que encobriram minha vida.



Carlos André, 7/5/09


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Madrugadas




Em tardes que se fecham no ocidente
E extinguem para sempre a sua chama,
A lira da existência já derrama
As notas do meu curso decadente;

No fundo destes céus da minha mente,
A Lua da tristeza já se inflama
Mostrando os olhos vis da negra dama
Que há de consumir-me lentamente;

Os ares que circundam a atmosfera
Transformam-se na brisa mais austera
Que envolve a minha alma em sopro triste;

Ao canto das estrelas apagadas,
Me perco nas silentes madrugadas
Da vida cujo Sol não mais existe.


Carlos André, 16/1/09



Perfil do recanto: http://recantodasletras.uol.com.br/autores/carlosandrepaes

domingo, 12 de abril de 2009

Incenso

Incenso de fulgor e toque ralos
Exala docemente essas fragrâncias
Que lavam minhas dores, minhas ânsias
No ardor purificante de seus halos.

Incenso cuja chama me irradia
A essência de universos tão serenos,
Isolam-me do horror e caos terrenos
Num véu de perfumosa melodia.

Traçando pelos ares mil estradas
Que elevam-me as paisagens estreladas
Na paz da solidão contemplativa,

Alcanço a plenitude consciente
Levando as dimensões de minha mente
À esferas muito além da forma viva.

domingo, 5 de abril de 2009

Siamesas

Jazido sob um céu de dor profunda
E mares duma flor que não mais cresce,
A luz do seu alento me incandesce
Trazendo este meu ser da cinza imunda;

Sonhando co'esta lua que me inunda
Em raios perfumados tão celestes
As asas deste amor já me revestem
Nas cores da esperança mais fecunda;

Num torpe sentimento sem renome,
O véu do seu olhar já me consome
A fonte interminável de tristezas;

Unindo o meu delírio à esta quimera
O tom das suas chamas reverbera
O ardor de nossas almas siamesas.




Carlos André, 15/3/08

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).