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quinta-feira, 8 de março de 2012

SÚPLICA



Ó, Vênus, que me habita e reina em minhas águas,
diamantinas águas - sonhos meus fluídos –
Senhora dos amores dentro em mim contidos
fontes de meu penar, de mil prazeres, mágoas...

Ó, protetora luz do amor e dos amantes,
com tua força e lume da Crescente Lua,
vem, e ilumina a mim e a minha alma nua,
pois ora estou amando e muito mais que antes.

D’orvalho, as gotas, não rolem em minha face,
diamantinas gotas – filhas de meu pranto –
e não devore o amor, a vida, que é vorace.

Nem morra a força fluída desse meu encanto,
que eu transpire o amor por onde quer que eu passe,
e que m’ encubra sempre seu divino manto.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

LIRA



Arranca os versos seus da sua solitude,
Do modo que sonhou, do jeito que queria,
Sem cultivar tristeza, ira ou alegria,
Amealhando a paz de toda latitude.

E assim sufoca a sua dor, sua inquietude,
E a lança no infinito em forma de poesia,
Em rito sacrossanto, pura epifania,
Que se dispersa ao léu, em sua plenitude.

E tange a lira mais etérea do parnaso
A dedilhar as frágeis cordas da emoção
que vibram e gemem ao nascer de cada verso...

E a alma voa um vôo livre, leve e raso
Buscando, da poesia, o ventre, em cada vão
Em cada canto de seu mundo e do universo

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

FELINA



Se eu sou voraz pantera, tão felina,
senhora desse encanto e tanta graça,
que o corpo teu inteiro assim enlaça,
que tanto te seduz e te alucina...

Se eu tenho o faro bom e a garra fina,
tu és a minha tenra e dócil caça,
que a mim s’entrega inteira, beija e abraça,
por sobre a fina relva da campina.

Se assim me farto porque a ti devoro,
e uivo qual pantera em pleno cio,
voraz felina que depois descansa...

Se solto esse meu uivo tão sonoro,
que ecoa dentro em ti horas a fio,
por certo me tornaste a caça mansa.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

PODER DAS PALAVRAS


Palavras têm poder e brotam dentro d’alma,
são prenhes de emoção, são prenhes de magia,
remédios para a dor... Podem trazer a calma...
Traduzem nosso amor, transportam a poesia.

Palavras são cristais que cortam qual punhal,
podem erguer alguém, podem roubar-lhe o chão,
podem fazer o bem, podem fazer o mal,
podem ser mel ou fel... Ambivalentes são!

São chuvas de verão, refrescam a terra dura...
São nossas filhas, sim, gestadas lá no imo,
escapam pelo olhar, machucam a rija tez.

Podem trazer a paz, podem conter candura,
podem calar o amor, jogar alguém no limo...
Palavras têm poder! E nós a sensatez.

sábado, 24 de dezembro de 2011

SONETO ÀS NAÇÕES



Nação que não educa seus infantes
escava no seu seio a própria morte,
inscreve no seu chão a triste sorte
de ver morrer seus sonhos mais pujantes.

Espalha fome e dor nos seus quadrantes,
miséria – para o crime o passaporte –
presente no país de sul a norte,
daquelas que ninguém jamais viu antes.

Crianças, das Nações, são seus esteios,
futuros construtores d’outros sonhos,
obreiros d’outros tempos de esperanças.

Lutemos, sem ter medos, sem receios,
por dias mais felizes, mais risonhos
contidos no futuro das crianças.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

LAMENTO



As rosas murchas, tristes, esvaídas
que agora se desfazem sobre a mesa,
ainda ontem davam-me a certeza
do terno amor que unia as nossas vidas

e nossas almas, hoje ressentidas,
sem gestos de carinho, de nobreza,
perdidas da poesia e da pureza,
do encanto e da paixão também perdidas.

Sem ti as minhas noites são saudosas,
e tudo dentro em mim soluça e chora
um pranto de tristeza desmedida...

Disperso pela alcova o olor das rosas
em tudo está presente, dentro e fora
da minha alma triste e emurchecida.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LAMENTOS INDÍGENAS




I

Primeiro nos tomaram nosso chão,
Depois de tantas lutas, de sevícias,
De sangue derramado por milícias
Nos pantanais, cerrados e sertão.

Estavam construindo uma Nação
Erguida co’s esteios das sordícias!
Com falsos brindes! Álcool! E malícias!
E tudo se repete, desde então.

Tiraram todo o ouro das jazidas,
Agora querem as águas, querem os rios,
Que sempre foram livres, corredios!

Agora querem o pouco que nos resta,
Como se vê! E a história sempre atesta,
Não basta o que tiraram! Terras! Vidas!

II

E foram tantas mortes! Vis chacinas!
Em nome do Progresso, Cruz e Espada,
A América invadida e ensangüentada,
Por mãos tão torpes, duras, assassinas!

Violentadas mães! Avós! Meninas!
Depois de muita guerra e luta armada
De muitos povos nem restou mais nada,
E tudo terminou em mãos sovinas.

A oferta da bebida - grande arma –
A espada, o vírus! Espelhos! Sedução!
O fim de tantos sonhos, tantos povos!

E os novos invasores! Quem desarma?
Quem vai conter agora a dura mão?
E dar à história rumos outros? Novos!

sábado, 1 de outubro de 2011

CONQUISTA DA AMÉRICA




Povo mesoamericano,
descendentes dos Toltecas,
Foram guerreiros Astecas,
povo pré-colombiano,
que sofreu dor, sofreu dano
co'a chegada de Cortez
perderam tudo, de vez
o seu soberano espaço,
onde só restou seu traço
por conta da estupidez!

Essa gente de além-mar
apeou nas alvas praias
com intenção de dominar
destruiu os nobres Maias
donos de belas zagaias!
E dos Incas, que falar?
Nada ficou pra contar,
monumentos dos mais lindos,
depressa foram bulindo
só no afã de conquistar!

Oh! Colombo! Oh! Cabral!
Que cruzaram verdes mares
Trazendo a morte, aos milhares,
Tanto horror e tanto mal
E uma tristeza abismal!
Por conta dessas conquistas
Foram tantas as desditas
Tantos povos chacinados
Tantos outros conquistados
Por conta d’ouro, pepitas...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

LUZES & SOMBRAS




Eu e meu pai - Antonio Lycério Pompeo de Barros - publicamos um livro em co-autoria: Luzes & Sombras (Poesias). Suas 124 páginas contém sonetos, rondéis, cordéis, indrisos e outras poesias. Sua Edição foi feita pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores/ CBJE. O livro foi lançado no aniversário de 89 anos de Antonio Lycério, no dia 20 de julho de 2011.

sábado, 17 de setembro de 2011

CISMAS



Morreu em mim alguma coisa que não sei
Se foi o sonho, a dor, desejo ou poesia,
Só sei que em mim restou a alma mui vazia,
Um vasto império sem ninguém, sem ter um rei.

Nada restou de tudo aquilo que sonhei
Além dessa tristura, dessa nostalgia,
Escombros e ruínas do que tanto cria,
Fantasmas e miasmas de quem tanto amei.

Não sei ! Alguma coisa se rompeu em mim!
Quebrou-se em mil pedaços que se foram ao vento,
Deixando no meu imo esse vácuo imenso.

Só sei que algumas vezes cismo e mesmo penso
que tudo em mim morreu mas que viver eu tento,
para cantar o amor que me deixou assim.

TARDES PANTANEIRAS



Inolvidáveis tardes, ternas, pantaneiras,
de sussurrantes águas, segredando amores,
brincando sobre as relvas ou beijando as flores,
lambendo os jacarés, aos montes, pelas beiras.

Ao longe, dos ninhais, se ouviam mil rumores,
Dos pássaros, das garças, brancas e faceiras,
O gado, a mugir, na sombra das mangueiras,
E a flutuar canoas, com seus pescadores.

Ah! Tempos de fartura! Cheiros de jasmim!
De índios e caboclos, tempos bem diversos,
de redes nas varandas, roças ribeirinhas.

Tempos que longe vão, mas vivem dentro em mim,
Na entranha de minh’alma, onde gesto os versos,
Na intimidade morna das saudades minhas.

CHEIRO DE PITANGA



Faz-me lembrar a infância, o cheiro de pitanga,
Os ledos dias meus brincando nos quintais,
Os tempos de inocência, que não voltam mais,
Brincando de casinha sob o pé de manga.

Álacres tempos, sem censuras e sem zanga,
De rodas e cirandas, d’outros carnavais...
Ah! Tempos bons! Que não esquecerei, jamais!
Carros de boi gemendo! Dóceis bois de canga.

Ah! Cheiro de pitanga!Minha meninice!
Rodando bambolê, jogando amarelinha,
Catando pirilampos nas noites sem lua.

Cheirinho de pitanga machucada e crua,
Aroma de saudade da infância minha,
Prenhe de sonhos tantos, ilusões, ledice.

BEM QUERER




A fonte ressurgindo onde secara,
A borbulhar em gotas de prazer,
banhando-me co’a sua água clara,
penetra nos meus poros, alma e ser.

A fonte que secou volta a correr,
Com tanta fluidez, outrora rara,
Tornando mais alegre o meu viver,
Fazendo-me sentir qual bela Iara.

Vibrando co’o poder das águas suas
Tangendo as minhas curvas mornas, nuas
Morrendo-me d’amor eu me deleito.

Oh! Fonte de prazer! Oh! Doce fonte!
O mar é o nosso fim! Nosso horizonte!
Eu quero ser areia no seu leito.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

LUA CHEIA


Ó, lua cheia que prateia a rua,
Beijando co’s seus raios as calçadas,
As rosas coloridas, perfumadas,
Quisera ser assim, ó, bela lua!

Por que não me iluminas, lua cheia?
Existem nos meus ermos sombras densas,
Enormes e profundas, mui extensas,
Sem ter sequer a luz d’uma candeia.

Oh! Lua cor de prata! Purpurina!
Oh! Vem! Formosa lua! E me ilumina!
Por que de mim te esqueces tanto assim?

Clareia os ermos meus, as minhas sendas,
Co'a luz dos raios teus, de finas rendas,
Põe fim nessa tristura dentro em mim.

sábado, 10 de setembro de 2011

ALUMBRAMENTO




Tu causas dentro em mim tamanho encanto
Que vejo estrelas mesmo sendo dia,
e tudo entorno se enche d’alegria
se vejo teus olhinhos, que amo tanto!

Nos braços teus renasço e me acalanto,
Co’a força dessa luz que s’irradia
Da aura tua! Pura luz! Poesia!
Mais bela que um campo d’heliantos.

Perdida nesse encanto, alumbramento,
Amar-te muito mais ainda tento,
Mas não existe amor maior na vida.

E eu sigo alumbrada, sempre a amar-te,
Buscando-te, querido, em toda parte,
Perdida de paixão! D’amor perdida!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CONVERSA ÍNTIMA




Abri-me com carinho! Lede-me, vos peço,
sorvendo cada letra, escrita neste ninho
de versos, como se faz com o antigo vinho,
que neste livro - fina taça - eu ofereço!

De minha entranha arranco os versos que aqui teço,
São gotas d’alma que chorando bem baixinho,
Respingam nestas folhas, com paixão, carinho,
De minha vida, mil pedaços, que forneço...

Nas vossas mãos eu sou igual a fina bolha,
Que ao bruto toque pode se romper ligeiro,
Eu quero o vosso amor, a vossa grande estima!

E com cuidado, ide a cada canto e folha,
Porque sou todo vosso, sem temor, inteiro,
Em cada verso, cada ponto, cada rima!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

MEDUSA?




De mármore, por certo, tu és feito,
Impenetrável, como o mar profundo,
Distante desta vida, deste mundo
Ainda que te deites no meu leito.

Eu olho teu semblante e tudo espreito,
Procuro a alma tua lá no fundo
do teu olhar, gelado e moribundo,
e vejo um labirinto frio e estreito.

Às vezes me pergunto - e mesmo cismo -
se cavei entre nós imenso abismo,
Que agora, entre rendas, fica exposto!

Seria eu Medusa poderosa?
Maldita e soberana? Monstruosa?
Ou seria, ó, meu amado, o oposto!

domingo, 4 de setembro de 2011

ENLACE FATAL



Chorava, a fonte, a tarde que caia,
Sanguinolenta e triste n’horizonte,
Sangrava a tarde e mais chorava a fonte,
Ao fim do langoroso e triste dia.


Chorava ao ver, da tarde, tal desmonte
A fonte que, de dor, ficou mais fria,
Demais chorou, até ficar vazia,
Sem água sobre a areia fina e insonte.
.
Ai! Como é triste ver morrer a tarde
Ensangüentada e sem fazer alarde,
Entregue, tão passiva, ao por do sol.

Choramos, eu e a fonte, de tristura!
sentindo dentro em nós terna amargura,
ao ver morrer a tarde no arrebol

Edir

sábado, 3 de setembro de 2011

SEGREDO



Pensam que levo n’alma um paraíso,
Porque andejo assim sorrindo à toa,
Cantando uma canção, ou mesmo loa,
Plantando uma poesia aonde piso.

Porque nos lábios trago um sorriso,
Já pensam que sou calma, qual lagoa,
serena feito a garça quando voa,
menina distraída, sem juízo.

Porém, enquanto passo sorridente,
Ainda que feliz eu me aparente,
Nos rastros meus há marcas d’amargura.

Nos ermos de minh’alma peregrina,
por trás dessa aparência de menina,
Escondo a minha imensa dor! Tristura!


mudei, acho que fica mais condizente com o resto do soneto.
Grata, colega, pela opinião.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

ANDEJA




Andeja solitária desses ermos prados,
Pisando mil veredas feitas d’amarguras,
Perdida dentro em mim, nas sendas mui escuras,
Eu sigo a sorte própria dos desventurados.

E ao ver os sonhos meus desfeitos, desbotados
quais flores que morreram - d’antes belas, puras –
colhidas nesse tempo de tristeza, agruras,
d’amores que se vão, tão mudos, tão calados.

Pisando as folhas secas desses meus caminhos,
Sentindo em minha tez os beijos teus, carinhos,
Revivo dentro em mim o nosso amor passado.

Ai! Que destino o meu! Andar sem rumo certo!
Pisando as minhas dores, sem ter ver por perto,
Colhendo as flores mortas do que hei sonhado.

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).