domingo, 13 de fevereiro de 2011

SONETO EM SANGUE


Soneto em Sangue

Agora que a tristura a alma me corta,
E as vísceras me arrancam, tão brutal!
Sangrando de meu corpo esse meu mal,
E a dor final que tanto me recorta!

Ai! O sangue a escorrer da minha aorta,
Das minhas chagas num basto caudal,
Inunda-me num mar tão lacrimal,
Nesta dor que a minh'alma não suporta!

E no gume letal dos finos aços,
Tu me cortaste todos os pedaços,
E num sanguinolento véu disperso...

Agora que o meu peito s'esfacela,
E a lembrança me rasga atroz por ela,
Eu morro assim, eu morro em cada verso!

Derek Soares Castro

3 comentários:

Hilton Valeriano disse...

Maravilhoso! Dramático!

Maria Letra disse...

Morrer, nunca! Como poderia um poeta assim, morrer? Embora achando que o seu recurso a palavras demasiado sangrentas, me magoa a alma, tenho de curvar-me perante a sua capacidade de fazer poesia. Parabéns, Derek.
Conheci-o no nosso Recanto das Letras.

Lord Rommel Werneck disse...

Há um soneto meu ainda incompleto chamado "Sangra, soneto". Essa relação de soneto com sangue é ótima. Parabéns, escritor!

REVIVALISMO LITERÁRIO


Poesia Retrô é um grupo de revivalismo literário fundado por Rommel Werneck e Gabriel Rübinger em março de 2009. São seus principais objetivos:

* Promoção de Revivalismo;

* O debate sadio sobre os tipos de versos: livres, polimétricos e isométricos, incluindo a propagação destes últimos;

* O estudo de clássicos e de autores da História, Teoria, Crítica e Criação Literária;

* Influenciar escritores e contribuir com material de apoio com informações sobre os assuntos citados acima;

* Catalogar, conhecer, escrever e difundir as várias formas fixas clássicas (soneto, ghazal, rondel, triolé etc) e contemporâneas (indriso, retranca, plêiade, etc.).